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Se tem um cão,
será você o líder da matilha? Tem a certeza
que com a mãe, o pai, as crianças e o cão, é
o cão que tem o status mais baixo do pack?
Há muitos anos
para cá, que é dito aos donos de cão que
estes têm que ser os líderes da matilha. Que
todos na família têm que ser dominantes sob
o cão, ou este poderá tornar-se dominante
sobre eles. Algum sinal de fraqueza humana,
e o cão com um predisposição dominante
poderá tirar partido e tentar um status mais
alto dentro do “pack”. Isto, somos ditos,
faz com problemas comportamentais se
desenvolvam, ou a que o cão seja teimoso e
desobedeça comandos.
Se isto
acontecer somos aconselhados a implementar
um Programa de redução de rank, que inclui
entre outras coisas, comer sempre antes do
cão, não permitir que ele durma na cama, não
jogar jogos de tug-of-war e não permitir que
passem pelas portas primeiro. Em adição a
isto, como o antepassado do cão é o lobo, os
programas de redução de rank são baseados em
comportamento lupino, apesar do facto de que
temos um cão na nossa sala de estar, não um
lobo.
Novas
pesquisas e novas teorias do comportamento
canino revelaram-se recentemente, e como
tal, apenas por interesse vamos olhar para a
vida de um cão sob uma perspectiva
diferente. A primeira questão que temos que
considerar é e o cão é um animal de matilha.
De acordo com o etologista Ray Coppinger,
não. Ele estudou um grupo de cães ferais
que viviam á volta de uma aldeia. Eles
tinham todos os meios de sobrevivência à sua
disposição, comida das lixeiras da aldeia,
água e protecção e como tal não existia
motivo para que ele formassem matilhas. Eles
viviam uma vida semi-solitária ou em grupos
pequenos, provavelmente uma mãe e os seus
cachorros. Nós sabemos que os cães são
animais sociais, tal como nós, e é por isso
que conseguimos viver juntos debaixo do
mesmo tecto. Como tal, com base nas
pesquisas feitas por Coppinger, como damos
aos nossos cães comida, água e acomodação 5
estrelas, olhamos pela saúde deles e
damos-lhe exercício, porque é que eles
haveriam de querer formar uma matilha
connosco?
Outro aspecto
da teoria da matilha é que tende a ser
conspecífica; ou por outras palavras são
constituídas por membros da mesma espécie.
Como tal, cães e pessoas não podem formar
uma matilha na verdadeira acessão da
palavra; um grupo social, sim, mas não uma
matilha. Os cães não pensam como nós, não se
comportam como nós, não cheiram como nós ou
vivem pelos mesmos valores do que nós. Dados
estes factos, não deveríamos questionar se o
cão que está na nossa sala de estar estará
mesmo á procura de oportunidades para
aumentar o seu status?
Antes da sua
triste e trágica morte, John Fisher começara
a questionar-se se os cães se viam como
parte do uma matilha e se eles deveriam
viver sob regras que supostamente reforçam a
nossa posição como líderes de matilha.
Infelizmente ele não teve oportunidade de
colocar por escrito muitas das suas visões
modificadas, apesar de que uma das coisas
que ele publicou foi “... se é como se vive
com os cães eu tenho notícias que irão
desapontar muitas pessoas que almejam o
status de Alpha – tudo isso não quer dizer
pévias para o seu cão.”
Acho que vale
a pena questioner algumas das regras de
matilha que nos são ditas como forma de
educar os nossos cães para que estes não se
tornem dominantes. Nunca se esqueça que
essas regras existem baseadas no
comportamento dos lobos e não no
comportamento dos cães.
Comer antes do
cão, porque o Alpha come sempre primeiro.
Então chegamos a casa com o nosso novo
cachorro, chamamos a família, comemos uns
biscoitos e depois podemos colocara comida
do cachorro no chão. O que é que será que o
cachorro vai realmente entender disto? Não
muito! De acordo com pesquisas feitas por
David Mech, numa matilha de lobos que anda à
solta, se a presa fôr suficientemente
grande, não existe ordem, e todos os lobos
comem em conjunto. Se a comida fosse pouca,
os cachorros comeriam primeiro. A
progenitora investiu 50% dos seus genes nos
seus cachorros e para assegurar a sua
sobrevivência, ele dar-lhe-ia a porção dela.
O nosso comportamento em fazer o cachorro
esperar poderá causar stress ou talvez
encorajá-lo a saltar de forma a tentar
chegar à comida.
Atravessar as
portas antes do cachorro porque os lobos
submissos ficam de lado e deixam o lobo
Alpha passar por pequenas aberturas
primeiro. Como a comunicação entre cães é
diferente da comunicação entre cães e
humanos, irá o cachorro entender a mensagem
por trás deste comportamento? Não
conseguimos nem de longe mimicar a linguagem
corporal ou expressões faciais e como tal o
objectivo deste exercício é inútil para o
cão.
Um cão que
puxa na trela está a tentar tomar conta do
passeio, tal como um lobo dominante o faria,
e decide para onde quer ir. OK, então um cão
a caminhar para o parque puxa na trela,
porque esta excitado com a ideia de ir
passear ao sítio favorito dele, o parque. No
caminho para casa, quando está cansado, já
não puxa tanto. Então deveremos deduzir que
o cão está a ser dominante no caminho para o
parque e submisso no caminho para casa?
Senso comum diz que não.
A comparação
entre o comportamento dos nossos cães e o
comportamento dos lobos é enganoso. Apesar
do cão se ter descendentes do lobo, este
último mudou quase nada. Nós, ao contrário,
produzimos raças de todos os tamanhos e
feitios.. Temos raças com diferentes cores,
tipos de pêlo, tamanho e alguns mesmos em
pelo nenhum! Temos cães com diferentes
posições, orelhas e caudas. Criamos raças
para guardar, procurar, puxar trenós, caçar
e para não fazer nada senão dormir nos
nossos sofás. Os cérebros dos cães mudaram:
são mais pequenos que os dos lobos. São
motores inatos de padrões diferentes, e
motivações diferentes. Um cão não é um lobo
vestido de cão; é simplesmente um cão!
É claro que
não existem garantias que um cão não vá
desenvolver problemas comportamentais, mas
existem muitos passos que podem ser tomados
para minimizar esse risco. Escolha uma
cachorro de um criador que crie ninhadas
dentro de casa, para que estes se comessem a
acostumar a barulhos de pessoas e da casa. O
criador deverá também iniciar o processo de
socialização, que deverá continuar assim que
o cachorro chegue à sua nova casa.
Ensine-lhe as regras de casa, para que o
cachorro saiba o que pode e não pode fazer.
Se um cão grande não pode deitar no sofá,
não o encoraje a fazer isso quando é
cachorro. Comece o ensino de obediência
básica utilizando métodos de reforço
positivo para que o cachorro acabe sendo um
bem socializado e bem comportado.
Não temos que
ser Alphas, dominantes ou líderes de
matilhas, nem o nosso cão. Tudo o que
precisamos é sermos donos responsáveis por
guiar os nossos cães, moldar e influenciar o
seu comportamento através de uma boa
socialização para que vivam em harmonia
connosco. |